Trabalhando com o cérebro

cerebro

Como os leitores da minha coluna já sabem, tenho bastante interesse em comportamento empreendedor, fato que inclusive me motivou a direcionar minhas pesquisas à neurociência. Recentemente, li um livro bastante interessante com estudos de psicologia aplicados ao potencial humano de gerar mudanças. Os autores são dois irmãos pesquisadores, Chip e Dan Heath, o primeiro é professor de Stanford, e o segundo coordenador de diversos projetos em Harvard.

O livro se fundamenta em uma premissa básica: a dualidade cerebral, ou seja, a divisão do cérebro em 2 hemisférios atuando quase que como sistemas independentes, um “racional” e outro “emocional”. Os autores fazem uma analogia interessente – um elefante sendo conduzido por um homem (elefante = emocional; condutor = racional).

O racional é um ótimo planejador: visionário, super organizado, disciplinado e maduro, porém, tem pouca energia para a ação, problemas com procrastinação na decisão e uma forte tendência em manter-se focado nos pontos negativos. Já o emocional é aquele que possui a força para agir, um apaixonado enérgico e cativante, porém, com sérios problemas de desorganização, disciplina e imediatismo.Atuando em conjunto, podemos ter um planejador (racional) enérgico e ativo (emocional), mas também corre-se o risco obter um procrastinador desorganizado. Devido a isso, os pesquisadores apresentaram abordagens para otimizar os dois perfis e conseguir realizar grande impacto.

-Atuando com a razão

Trabalhar com as características do racional é algo que exige esforço, pois eles são mais fechados para mudanças devido ao fato de sempre focarem nos pontos negativos. O primeiro ponto apresentado é o ato de, mesmo no meio de diversos pontos negativos de um projeto, encontrar os pontos positivos e replicar. O planejador precisa estar ciente dessa sua limitação e procurar identificar esses pontos positivos para não desanimar, bem como usar esses pontos e replicar soluções para corrigir os problemas.

O segundo e o terceiro ponto estão ligados à paralisia decisória desse perfil: quando surgem alguns outros caminhos e oportunidades, o raciocinador, frequentemente assustado pelo foco dos pontos negativos, não é capaz de decidir, e, devido a isso, acaba procrastinando ou desistindo. Boas soluções pautam-se em roteirizar os passos críticos (sem deixar margem para alternativas) e apontar um foco, mostrando para onde vai chegar a longo prazo, tocando assim o emocional para se energizar e seguir em frente.

-Impulsionando pela emoção

O lado emocional é totalmente passional e, para estimulá-lo, é preciso saber lidar com esse traço. O caminho sugerido pelos pesquisadores também se divide em três pontos. Primeiramente, deve-se saber tocar o sentimento, e uma boa estratégia apontada é a de estimular visualmente as pessoas. Para gerar ação, temos um ciclo onde a pessoa recebe estimulo visual, sente um impulso de mudança e, por último, age. Devido a isso alguns gestores colocam seus funcionários com um contato real (visual) com o público-alvo. É o melhor jeito de estimular o desenvolvimento de empatia.

O problema de agir do “elefante” resume-se em dar o primeiro passo, colocá-lo em movimento. Baseando-se nisso temos o segundo ponto apresentado ao lidar com o emocional – simplificar os primeiros passos, começar com as coisas simples. A realização de tarefas mais simples energizam para a realização de coisas grandiosas que antes eram assustadoras. Experimente mandar um email contando a sua ideia de negócio para algumas pessoas e verá que as coisas vão se tornando mais palpáveis devido ao primeiro passo executado. Costumo a chamar isso de “escada de dificuldade”.

O último ponto é bastante importante: não desanime! O emocional pode ser facilmente atingido, e por isso é preciso saber cultivar uma maturidade para que ele não desanime. Uma importante estratégia é estar ciente de que problemas virão e que o caminho da evolução é marcado por altos e baixos, isso evita que desanimemos frente às dificuldades. Resumindo: o condutor, assustado por sempre se concentrar nos pontos negativos, precisa de referências positivas no caminho e de um mapa bem desenhado (sem margens para mudanças) e objetivo para ser capaz de conduzir bem seu elefante. Para que o elefante se movimente, é preciso alimentá-lo (tocar o sentimento), saber estimular os primeiros movimentos com tarefas facilmente executáveis e não deixar que ele desista de caminhar, pois sabemos exatamente o que acontece quando a emoção entra em conflito com a razão: o elefante toma as rédeas do condutor e a gente abandona a dieta!

Espero que tenha sido útil e de fácil compreensão.

Com carinho, Artur

Fonte: https://www.facebook.com/artur.tavr

Post Tagged with

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *


*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>